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Prefeito? Risco total


…Os prefeitos não se elegem pelos seus pobres partidos, mas por meio de coligações que os enforcam depois na luta pela sobrevivência dos vereadores e as quase inúteis câmaras de vereadores…

Onofre Ribeiro

Onofre Ribeiro

Hoje é a data a partir da qual já podem ser realizadas as convenções partidárias para a escolha e oficialização dos candidatos a prefeitos e vereadores em todo o país, com vistas à eleição de outubro. O clima em outras épocas era de efervescência imensa e as disputas a ferro e fogo. Agora, nem ferro e nem fogo. No máximo ambiente morno. Alguma coisa muito diferente está acontecendo nas eleições de 2016. Vale a pena raciocinar um pouco, embora o assunto seja muito maior do que o espaço deste artigo.

Ser gestor público no Brasil tornou-se tão arriscado quanto pular de avião sem paraquedas.  A população politiza-se e se torna muito cobradora e exigente. Os recursos públicos diminuem gestão após gestão. Os mecanismos de controle se aprimoram e apertam cada vez mais os prefeitos e as prefeituras. Os prefeitos não se elegem pelos seus pobres partidos, mas por meio de coligações que os enforcam depois na  luta pela sobrevivência dos vereadores e as quase inúteis câmaras de vereadores.

Sem contar as cobranças e as esperanças da população local, sobre a cabeça dos prefeitos pesam dois monstros muito poderosos e predadores: a gestão estadual e a gestão federal. O município é o elo mais pobre e o mais fraco na corrente do chamado pacto federativo. A Constituição de 1988 concebeu o sistema que fortalecia a União concentrando nela os principais poderes e a arrecadação dos impostos. Foi um romantismo criado depois do fim do regime militar. Mostrou-se péssimo ao longo do tempo. Hoje a União tem poderes de mais, os estado menos poderes, e o município poder nenhum. Porém, é nela que se concentram todas as expectativas dos cidadãos. É na Rua X do município que o cidadão vive. É do prefeito e dos vereadores que ele cobra suas demandas.

Porém, nesse ambiente de terror em que vivem os prefeitos, controlados, fiscalizados e vigiados pelos órgãos controladores e pelas demandas da sociedade, sem recursos e cheios de problemas que serão eleitos os 141 prefeitos de Mato Grosso. A maioria do que terminam o mandato saem muito mal. Dos que entrarão, a maioria sairá mal, serão cassados, quase apedrejados pela sociedade e pelos órgãos de controle. Gerenciar municípios é a “Geni” da política brasileira. Talvez essa percepção de terror, explique a falta de calor nas discussões eleitorais de 2016.

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br     www.onofreribeiro.com.br

 


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