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Quando a tragédia é um projeto político


Nos últimos 3 anos tivemos pelo menos duas grandes tragédias nos nossos tristes trópicos de danos irreparáveis e que eram anunciadas, vale frisar. A exceção: a queda do avião da Chapecoense.

Na tragédia do Rio Doce, em 2015, considerada a maior ambiental, o alerta dos riscos ambientais em relação a intervenção da mineradora Samarco era constante, senão “abafado” pelas autoridades da época.

A estátua de D. Pedro II em frente ao Museu Nacional; atrás, a instituição em chamas – Uanderson Fernandes / Agência O Globo

Enquanto, agora, no incêndio do Museu Nacional, constata-se uma política de desinvestimento, assim que, segundo responsáveis do Museu, há uma redução drástica de recursos ao longo dos últimos 5 anos. Para se ter uma ideia, em 2013, o orçamento era de 531 mil reais, baixando para 54 mil reais nesse ano.

Ao considerar as tragédias anunciadas, logo reflito sobre os escritos do sociólogo alemão Ulrich Beck sobre as sociedades e o gerenciamento dos riscos. Ele trata dos perigos potenciais e na crítica às tentativas científicas de previsibilidade deles, e nos dois casos expostos: parece-me útil para desmascarar tanto os entusiastas desenvolvimentistas de plantão quanto fazer um aviso necessário para novas tragédias programadas, se considerarmos a existência de uma ideologia social dominante que visa o desmonte dos sistemas de conhecimento e, por tabela, flerta cada vez mais com o fascismo, com a lógica dos Estados de Exceção.

*Lawrenberg Advíncula da Silva é professor do Curso de Jornalismo da Unemat. Editor-geral da revista científica Comunicação, Cultura e Sociedade (RCCS), e um dos responsáveis da coletânea Cenários Comunicacionais: entre as sociedades industriais e as emergentes – volume Mundo Iberoamericano (2017), pela editora europeia Media XXI.


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