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ALTO ARAGUAIA: Enfermeiro é condenado a 18 anos de prisão pela morte de juíza

TJ MT
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O enfermeiro Evanderly de Oliveira Lima, de 45 anos, acusado de assassinar sua ex-esposa, a juíza Glauciane Chaves de Melo, em 7 de junho de 2013, no município de Alto Taquari (479 km de Cuiabá), foi condenado a 18 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e porte ilegal de arma, na madrugada desta quarta-feira (29). A sessão do júri durou mais de 16 horas. A sentença foi anunciada por volta da 0h30, desta quarta-feira (29).

A defesa do condenado já avisou que não irá recorrer da decisão. O julgamento em júri popular ocorreu na cidade de Alto Araguaia (415 km da capital) e teve a sessão presidida pelo magistrado Carlos Ferrari, titular da 1ª Vara Criminal.

O crime ocorreu dentro do fórum de Alto Taquari, na sala da magistrada. Após o ocorrido, Evanderly ficou foragido por três dias, até ser encontrado e transferido para o presídio de Cuiabá, onde ficou até a data do julgamento. Evanderly se tornou réu confesso e alegou ter “perdido a cabeça”.

“Em momento algum eu entrei no Fórum para executar a juíza. Naquele dia, perdi a cabeça. Ajoelhei aos pés dela. Ela se exaltou, me chamou de fracassado, de gigolô e disse que eu não tinha dignidade”, afirmou.

De acordo com o condenado, no dia do crime ele foi ao Fórum para mais uma tentativa de reconciliação. Contudo, a juíza teria dito que já estava em outro relacionamento e, por isso, começaram a discutir.

“Ela disse que não tínhamos mais nada a conversar e que eu poderia me retirar da sala. Perdi a cabeça, perdi o controle e efetuei dois disparos. Não foi por amor, ela me rebaixou, me senti um inútil ali”,desabafou.

Após a leitura da sentença, o advogado de defesa Edno Damascena afirmou achar justo o resultado. “Sou um defensor do Tribunal do Júri e acho que se fez justiça. O júri é composto por sete pessoas e o resultado é justo. Foi uma pena razoável e equilibrada”, declarou. Sobre a possibilidade de decorrer da decisão, o advogado negou a intenção. “Eu dificilmente recorro de uma decisão de Tribunal do Júri. Não vou recorrer desta decisão porque sou um fiel defensor do júri e não posso renegar os meus princípios por um resultado adverso ao meu cliente”, afirmou.

O advogado ainda elogiou a condução do julgamento pelo magistrado Carlos Augusto Ferrari, a participação dos jurados e pontuou a ética do promotor. A respeito do desaforamento do júri, Edno Damascena reconheceu a imparcialidade do Poder Judiciário na decisão. “O Tribunal de Justiça de Mato Grosso foi muito correto, de uma lisura e de um apego aos princípios constitucionais invejável neste país” ressaltou.

Sentença – De acordo com a sentença, a culpabilidade do reú foi comprovada e a conduta dele foi “altamente reprovável pelo local onde o fato fora praticado, demonstrando total desprezo pelo gênero feminino, pela paz no trabalho e pelo Estado Brasileiro, agindo simbolicamente contra uma mulher que desempenhava sua função de distribuir justiça em nome de seu povo”.

“A motivação dos crimes foi analisada pelo conselho de sentença, sendo evidentemente o ânimo do macho. O sentimento masculino em não suportar a superação de qualquer forma, em especial o provocado pela fêmea que o dispensa. Ainda que difícil superar o sentimento da rejeição, a sociedade brasileira, na busca da evolução do espírito e em respeito aos direitos mínimos da pessoa humana impõe o autocontrole masculino que deverá se conformar e buscar a felicidade em outra relação se for do seu desejo.”

“Há de se mencionar que o réu matou uma mulher que se lançou à vida produtiva, em seu local de trabalho, no exercício de suas atividades fora do expediente necessário, dentro das dependências do Poder Judiciário, na presença de servidoras que lhe acompanhavam, atingindo a vida, a fragilidade de uma mulher e secundariamente a República Federativa do Brasil.”

O magistrado conta que o crime atinge a república brasileira porque “nós afirmamos no campo legislativo que não aceitamos mais a violência de gênero como no caso analisado hoje, no qual a vítima é uma mulher. Considerando essa questão social, o Estado brasileiro é vítima. Numa análise secundária, não se pode dissociar, que o crime ocorreu dentro de um prédio público do Poder Judiciário, um do três poderes que compõe a República Federativa do Brasil”, explicou Carlos Augusto Ferrari.

Fonte: Hiper noticias

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