Evento da OAB-MT debate perspectivas de futuro para o Pantanal mato-grossense

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp

O combate às grandes queimadas que atingiram o Pantanal em 2020 e suas consequências só foi possível pela união de diversas organizações e pessoas. Desse esforço, surgiram o grupo Amigos do Pantanal e, dentro da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), a Comissão de Políticas Públicas do Pantanal. Na última quinta-feira (15), esses grupos se reuniram no evento on-line “Unidos pelo Pantanal”, promovido pela OAB-MT, para debater as perspectivas de futuro, compartilhar experiências e estratégias de combate a incêndios e mobilizar a sociedade visando o próximo período de seca.

O evento reuniu representantes do poder público, da academia, do setor produtivo e entidades representativas de vários setores. Na mediação dos debates, os presidentes das Comissões da OAB-MT de Políticas do Pantanal, Flávio Ferreira, e de Direitos dos Animais Glaucia Amaral. Na abertura, a vice-presidente da OAB-MT, Gisela Cardoso, destacou a importância do encontro e do trabalho que vem sendo realizado no último ano em prol do Pantanal. “Temos aqui um verdadeiro exemplo do que é possível conquistar quando todos unem as mãos com o mesmo objetivo. Defender o Pantanal é uma pauta fundamental não só para o Mato Grosso, mas para o Brasil e o mundo devido à grande importância do bioma”, completou a advogada.

No primeiro momento do encontro, os representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) apresentaram o plano de ação para combate a incêndios florestais 2021, que já está sendo desenvolvido pelo órgão. Enéas Corrêa de Figueiredo Junior destacou que um dos focos principais será a proteção e atendimento emergencial da fauna silvestre atingida pelo fogo. Além disso, informou que está prevista a contratação de 100 brigadistas e a aquisição de uma aeronave específica para o combate aos incêndios.

Já a Comandante do Batalhão de Emergências Ambientais, Tem. Cel. Jusciery Marques, detalhou as ações previstas no plano em três frentes: prevenção, preparação e fiscalização. Entre os destaques, as campanhas de educação ambiental envolvendo comunidades, estruturação de brigadas indígenas e capacitação e ampliação das equipes. “Em comparação com o mesmo período de 2020, temos até o momento, uma redução de 44,6% nos focos de calor na região do Pantanal. Estamos mais bem preparados e equipados para lidar com os incêndios deste ano”, completou.

Ação política – Os representantes do Legislativo Estadual e Federal também marcaram presença, compartilhando as ações já em andamento e as previstas bem como as lições aprendidas com as queimadas de 2020. O Deputado Estadual e Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), Carlos Avalone, destacou a importância da transparência de ações e orçamentária. “É papel do legislativo garantir que não haja contingenciamento no orçamento de combate a queimadas. Só nossa união pode proteger o Pantanal e impedir que outro desastre aconteça”, reforçou o deputado.

A Deputada Federal Rosa Neide apresentou os trabalhos da Comissão Externa de Queimadas em Biomas Brasileiros, a qual preside, e os projetos de lei que impactam o Pantanal em tramitação da Câmara dos Deputados. “Temos que trabalhar muito para que não tenhamos mais um ano de fogo, e que as questões ambientais, climáticas e de preservação sejam efetivamente incluídas nas pautas do poder público”, explicou.

Para o Deputado Estadual Alan Kardec, pantaneiro de nascimento, umas das grandes questões que precisam ser enfrentadas é a redução do volume de água nos rios que banham o Pantanal. “No combate aos incêndios, é nesses pequenos cursos d’agua que as equipes se abastecem. Precisamos buscar soluções desde já”, afirmou. O Senador Wellington Fagundes reforçou a importância de dar apoio ao povo pantaneiro, fundamental na preservação do bioma. “Falar do Pantanal é falar de vida, de pessoas. Quem cuida do Pantanal é o pantaneiro, os quilombolas, os indígenas e sitiantes”, avaliou o senador.

Abordagem social – Os representantes do setor produtivo reforçaram esta abordagem social.  O presidente do Sindicato Rural de Poconé, Raul Santos, lembrou que durante os incêndios, as áreas de fazendas abandonadas foram as que mais sofreram perdas, principalmente pela dificuldade de acesso das equipes. “O pantaneiro precisa ser valorizado e visto como protagonistas na preservação. Além disso, passada a fase aguda da crise, as equipes se vão, e a população é quem fica lá tendo que lidar com as consequências”, alertou o produtor.

Ele compartilhou a experiência da Associação Guardiões do Pantanal e as ações promovidas pelo grupo visando a prevenção dos incêndios. Na mesma linha, a presidente do Sindicato Rural de Cáceres, Ida Beatriz, defendeu a qualificação da população local. “É importante chegar lá na ponta e montar estratégias efetivas para essas pessoas, em parceria com os órgãos e entidades. As ações precisam ser pensadas considerando todos os elementos que compõem o Pantanal: a vegetação, a terra, a água, os bichos e as pessoas que vivem lá”, reforçou.

A pesquisadora e professora da Universidade Estadual de Mato Grosso (UNEMAT), Carolina Joana da Silva, apresentou dados promissores do projeto de restauração de áreas que sofreram com os grandes incêndios de 2020. “Eu achei que estaríamos muito vulneráveis, como estivemos ano passado. Mas vendo tudo o que foi compartilhado aqui, percebo que estamos muito mais preparados e, com estratégia e união, temos esperança”, finalizou a pesquisadora.

A programação contou ainda com a apresentação do plano de ações do Corpo de Bombeiros Militar, realizada pelo Coordenador-Geral do Centro Integrado Multiagências (CIMA), Major Rafael Ribeiro Marcondes; e de representantes da Embrapa Pantanal, com resultados preliminares do projeto Fazendas Pantaneiras.

Assessoria de Imprensa OAB-MT

Shopping Basket
%d blogueiros gostam disto: