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Ex-prefeito Cajango diz que diminuição de parlamentares seria solução para conter gastos no Brasil

Cajango fala de política local, estadual e nacional, afirma que Lula foi injustiçado e crê em dias melhores para o país.

Carlos André/DA REPORTAGEM

O Brasil tem o segundo Congresso Nacional mais caro do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo dados da União interparlamentar, organização internacional que estuda os legislativos de diferentes países.

Cada um dos 513 deputados brasileiros e dos 81 senadores custa mais de US$ 7 milhões por ano. Seis vezes mais do que um parlamentar Francês, por exemplo.

Antônio Ferreira Cajango. Foto: André da FM

O ex-prefeito de Santa Rita do Araguaia (GO), Antônio Ferreira Cajango, de 69 anos, afirma que a alternativa para cortar gastos públicos, seria reduzir o número de deputados federais e senadores. Ele lembra que em 1964 quando houve o golpe, Brasília havia sido projetada para ter 163 deputados e um senador por estado da federação.

Bacharéu em Ciências Econômicas e Teologia e Filosofia, Antônio Ferreira Cajando foi prefeito de Santa Rita do Araguaia (GO), entre os anos de 1983 a 1988 e de 1993 a 1996. Cajango diz que vê as administrações públicas com muita preocupação, pois há muito desvio de condutas de agentes políticos, e isso é preocupante, disse o ex-gestor municipal.

Confira mais detalhes da entrevista……..

Carlos André de Freitas – Como vê a questão de nenhum prefeito (a) de Santa Rita do Araguaia (GO), não conseguir se reeleger no município, haja vista que foi você foi prefeito duas vezes, mas em mandatos alternados?

Antônio Ferreira Cajando – É uma questão de conquista que se precisa ter junto aos seus eleitores. Inclusive eu vejo as administrações com muita preocupação. Quando se fala em corrupção, mas ela é uma questão cultural, ela está tanto em cima, como embaixo, é preciso mudar, e vejo isso com muita preocupação.

Carlos André de Freitas – Você acredita na disputa em 2020 entre a atual prefeita Tânia Salgueiro e o ex-prefeito João Batista Gomes?

Antônio Ferreira Cajando – Eu acho uma situação bastante embrionária por enquanto. Imagino que até os registros de candidaturas poderá haver algumas situações e ocorrer algumas mudanças. Dentro dessas mudanças há alguns movimentos criando outras linhas de pensamento de atuação, e com isso o cenário tende a mudar.

Carlos André de Freitas – O senhor é pré-candidato nas eleições municipais do ano que vem em Santa Rita do Araguaia?

Antônio Ferreira Cajando – Político somos todos nós. A política partidária é uma condição que a gente está imposta para exercer determinadas funções como vereador, prefeito, vice-prefeito, deputado, governador. Não posso dizer que dessa água a gente não bebe, mas há algumas conversas já voltando para algumas mudanças de parâmetro da forma de se fazer política partidária em Santa Rita do Araguaia. Se houver esse encaminhamento a gente poderá até lançar essa nova idéia, esse novo rumo para o município.

Carlos André de Freitas – Atualmente o senhor está filiado em qual partido político?

Antônio Ferreira Cajando – Até hoje eu só estive militando em um partido, que é o PMDB (MDB), desde 1981. Mas eu não morro de paixão por partido não, pois a coisa ultimamente está tão vulgarizada que a gente não sabe.

Carlos André de Freitas – Qual sua análise que você faz da gestão da prefeita de Santa Rita Tânia Salgueiro e Câmara de vereadores?

Antônio Ferreira Cajando – Olha eu acho que os erros que tem são por falta de formação e informação como nós estávamos falando em off a respeito da questão do curso de jornalismo. A meu ver, o que precisa realmente dentro dessa conduta é naquilo que disse que poderia até ser um pré-candidato, mas desde que haja algumas mudanças, porque o agente político não é um emprego, quando você se coloca a disposição para ser um vereador, um vice ou prefeito, você está se colocando a serviço da comunidade e dizer eu vou está junto com vocês para administrar. Então estou adiantando que tenho algumas propostas para o vereador ganhar um salário mínimo, porque hoje são mais de R$ 3 mil reais. O vice-prefeito recebe R$ 5 mil reais, a prefeita R$ 13.800,00, viaja com diária de R$ 500,00 reais até Goiânia e R$ 700,00 reais até Brasília, isso estendido a vereadores e secretários. Essa situação precisa ser mudada, acredito que o prefeito (a) precisa diminuir seu salário para poder estar compatível com os demais que ganham menos. Isso tem que voltar aí pelo menos a R$ 8 R$ 10 mil reais. Só aqui teria uma economia de R$ 32 mil reais que poderia ser aplicado em alguma área da cidade.

Carlos André de Freitas – Como militante do MDB a mais de 30 anos, como o senhor vê o partido em nível de estado?

Antônio Ferreira Cajando – Eu vejo com preocupação. No momento atual, o estado de Goiás carece de grandes lideranças que esteja se despontando até o momento, nem pelo MDB, nem por outra sigla. O governador Ronaldo Caiado tem sido uma decepção para muitas pessoas, eu também acreditava no governo dele e a gente também tá muito decepcionado com sua administração. Uma liderança que tivemos muito boa é o atual prefeito de Goiânia Iris Rezende, mas ele já está na casa de seus 85 anos de idade e já vai ficando limitado nas suas atuações.

Carlos André de Freitas – Como o senhor compara a atuação dos políticos atuais com os do passado?

Antônio Ferreira Cajando – Acredito que a questão desvirtuou. Está chegando momento em que o político chega a você e fala “agora é a hora de você se ajeitar”. Tanto é que na época que assumi em 1983 dois ex-prefeitos chegaram até mim e disseram que era a vez de ajeitar meu lado, por incrível que pareça até um Padre do antigo Colégio Padre Carlete, chegou a mim e falou que se pegasse 10% não era pecado não. kkkkkkkkk. Depois a gente foi vendo essas decepções. Em 1987 quando tentei pegar umas verbas para Santa Rita do Araguaia e que era daqueles fundos perdidos que hoje são emendas parlamentares, a propina em Brasília era de 50%. Isso é um sistema gravíssimo e delonga de muitas e muitas décadas. Na época o governador Enrique Santilho quando tomou conhecimento, foi nos meios de Comunicação e pediu aos prefeitos de Goiás que não dessem propina em Brasília. Isso é um sistema gravíssimo que se arrasta por décadas e décadas e precisa acabar.

Carlos André de Freitas – Além do senhor quem mais da família milita na política?

Antônio Ferreira Cajando – O meu pai, o senhor Ivo de Moraes Cajango foi o primeiro prefeito do município de Santa Rita do Araguaia em 1953. Ele foi nomeado através de decreto do governador Pedro Ludovico Teixeira. Depois tive tios vereadores, primos prefeitos, também o Maguito Vilela e José Feliciano Ferreira, primos de quarta geração que foram governadores de Goiás. Fora disso em Alto Garças (MT), o conhecido Sebastião Otoni de Carvalho, que foi prefeito da cidade Mato-grossense, então a minha família sempre teve alguns nomes envolvidos na política ao longo dos anos.

Carlos André de Freitas – Qual livro o senhor está lendo atualmente. Tem alguma preferência?

Antônio Ferreira Cajando – Estou lendo o Livro Descalço sobre a terra vermelha: a vida do bispo Pedro Casaldáliga, da cidade de São Félix do Araguaia (MT). Vale a pena, indiferente da questão ideológica, eu acredito que o sofrimento que ele teve e tem em relação as queimadas, derrubadas de matas, a luta pelos poceiros, é um grande exemplo de luta em favor dos menos favorecidos.

Carlos André de Freitas – Qual a avaliação que o senhor faz do primeiro ano de governo do presidente Jair Messias Bolsonaro?

Antônio Ferreira Cajando – Olha a gente assim como muitos brasileiros já se decepcionou com ele porque esperava outras atitudes, esperava que ele fosse um homem de uma conduta mais coerente, não votei nele, mas nem por isso estou desejando o mal, de quanto pior melhor. Vejo que a equipe dele, principalmente a econômica tem demonstrado alguns sinais de vontade de fazer o melhor para o Brasil. Essa questão dos pequenos municípios ser extinto, vejo que ele está usando uma estratégia muito inteligente para mobilizar o pessoal embaixo para chegar a Brasília para diminuir o que está lá em cima. Por vezes, ficamos sem saber a realidade e as verdadeiras verdades e o que se passa em tudo isso. Mas a gente torce para que dê tudo certo para o nosso país.

Carlos André de Freitas – O tema da extinção de municípios. Qual a posição do senhor quanto essa questão?

Antônio Ferreira Cajando – Concordo plenamente. Só que eu acho que se isso vier acontecer, passará a ter uma administração atípica da qual temos hoje, que extingue o cargo de vereadores prefeitos, vai haver uma mudança significativa. Há uma distribuição de renda desigual, a renda de um município destina 7% para a Câmara de Vereadores. A população recebe 15% para a saúde. Há uma incoerência nessa divisão de recursos de atendimento a população. Vejo que esse projeto vai ajustar o que está errado. Inclusive é preciso chegar à Câmara Federal e Senado da república. Os municípios estão perecendo e os problemas estão neles.

Carlos André de Freitas – O senhor então é favorável a redução do número de deputados e senadores?

Antônio Ferreira Cajando – Com toda certeza, pois é um custo altíssimo para o país e de poucos resultados. Veja bem: hoje um deputado federal está administrando mais uma cidade do que o próprio prefeito. O dinheiro que vem é tudo de emendas parlamentares, o restante é para pagar folha de pagamento, hoje Santa Rita do Araguaia está totalmente inchada, não tem mais jeito. Mais de 50% para folha, 25% na educação, 15% na saúde e 7% na Câmara, não sobra nada para investimentos. Os deputados é que tem que fazer a administração rodar.

Carlos André de Freitas – A partir de decisão do Supremo Tribunal Federal que impediu a prisão de condenados antes do trânsito em julgado, enquanto é possível recorrer, o ex-presidente Lula foi solto. O senhor concorda com a decisão?

Antônio Ferreira Cajando – Perfeitamente. Acredito que a decisão foi correta e sou a favor. Foi uma grande injustiça e jogada política, porque se a elite política do país não fizesse aquilo, hoje ele seria o presidente do Brasil. A constituição já prevê desde 1988 que você só pode ser preso depois de transitado e julgado, ali houve uma manobra para que tudo isso acontecesse, acredito que o que o Supremo fez foi corrigir as injustiças feitas no passado.

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