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Homem com cabeça virada dá lição de vida e faz palestra em Cuiabá

Cláudio Vieira de Oliveira, oriundo do sertão da Bahia, Monte Santo, convive há 40 anos com uma doença rara, que, segundo ele, nunca quis saber qual é. Ele tem as pernas atrofiadas, os braços colados no peitoral e a cabeça virada para trás, sustentada pelas costas. Para quem o vê, parece que enxerga tudo de cabeça para baixo e que tem dificuldade em comer, beber ou respirar.

Cláudio Vieira tem as pernas atrofiadas, os braços colados no peitoral e a cabeça virada para trás, sustentada pelas costas
Cláudio Vieira tem as pernas atrofiadas, os braços colados no peitoral e a cabeça virada para trás, sustentada pelas costas

Mas não. Cláudio garante que é saudável e que todo funcionamento do organismo acontece de modo padrão. Em entrevista ao , conta que lançou nacionalmente este ano um livro que traz sua história de vida. Hoje, Cláudio dá palestras motivacionais e desenvolve este trabalho há quase 12 anos. A biografia, intitulada “O Mundo está ao Contrário”, foi lançada no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Cláudio confessa que a única pessoa que consegue, por segundos, erguer a cabeça é o cabeleireiro. Contudo, garante que vê como se tivesse a cabeça na posição normal. “Eu não enxergo nada de cabeça para baixo. Eu brinco que o mundo é que está de cabeça para baixo. Eu enxergo tudo normal. Inclusive, se alguém me der algo pra eu ler, a pessoa vira o objeto de cabeça para baixo e eu desviro. Eu leio normal. É apenas a posição da cabeça” – abaixo, assista entrevista de Cláudio no Rdtv.

Ele nasceu em 1º de abril de 1976, na casa dos pais e, desde então, só vai aos médicos para exames de rotina. “Naquela época, não se tinha recursos. Minha mãe nunca tinha feito pré-natal. Mas a gravidez foi normal e eu tenho cinco irmãos. O próprio médico afirmou que eu não sobreviveria nem por 24h. Ele se enganou, foi diferente, e hoje tenho 40 anos. Não foi fácil, porque o caso é raro, mas minha mãe e meus irmãos sempre me trataram de forma normal. Com o passar dos anos, passei a me adaptar”.

O palestrante relembra que começou a se acostumar com a forma física, de fato, aos 7 anos. Nesta época, deixou de andar de forma rastejante para transitar de joelhos, como acontece até hoje. Se o piso for desconfortável, Cláudio usa uma sandália adquirida pelo Hospital Sarah Kubitschek, em Salvador.

A história dele ganhou maior repercussão, em setembro de 2014, quando foi contada em diversos veículos de imprensa internacional, como no Daily Mirror, Daily Mail e Metro. O baiano recebeu uma equipe de jornalistas de Londres, em 2013. Foi quando ficou sabendo que a anomalia se chama artrogripose múltipla congênita (AMC). “Foi o primeiro diagnóstico que eu tive. Nasci dessa forma, dessa forma vou ficar. As pessoas me perguntam o que é, mas não tenho resposta para dar. É um mistério mesmo”.

“Meu sonho é conseguir
ter uma vida confortável”

Hoje escritor, Cláudio conta que ler e escrever aprendeu em casa, depois de pedir à mãe. A vontade surgiu ao observar a rotina dos irmãos indo à escola. “Ela tinha medo de sofrer preconceito e conseguiu uma professora para me dar aula particular. Depois, eu mesmo comecei com o lápis com a boca e a rabiscar. Passei a me aperfeiçoar e escrever com a boca”, afirma.

Com mais de  5 mil amigos no Facebook, por exemplo, o baiano é um usuário ativo da internet. Para isso, deita na cama e digita com a caneta. Quanto ao mouse, Cláudio manuseia com o queixo. Com dependência parcial, ele também não precisa de ajuda para falar ao telefone ou se alimentar.

Inclusive, lançou um DVD sobre a história e foi ele quem fez o design gráfico da capa. “Eu me adaptei tanto que não percebo que sou uma pessoa portadora de necessidades especiais. Não tenho preconceito comigo mesmo. Sei de relatos de pessoas que têm deficiência física que se esquivam bastante, a própria família se fecha. Minha mãe foi diferente. Sempre me liberou a ter convívio social, sair com amigos, vou a festas”, comenta.

 

Bárbara Sá do RD NEWS

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