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Índios protestam contra saída de secretário; Rodrigo busca contornar situação

Marisa Batalha do Única News

Rodrigo Rodrigues (PMDB) que desde o início de 2016, comandou a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em Brasilía, agradeceu nesta quarta-feira (22), não ao protesto, claro, mas ao movimento feito em favor de seu nome para a permanência no cargo, realizado por pelo menos 50 índios de diversas etnias brasileiras – no Ministério ds Saúde -, que não aceitam sua exoneração.

As lideranças que ocuparam hoje parte da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, cobram uma audiência no Ministério da Casa Civil, depois que o novo chefe da Sesai – Marco Antonio Toccolini -, ensaiou um diálogo com as lideranças, mas em razão da animosidade, preferiu deixar o local.

Foto: (Reprodução)
Foto: (Reprodução)

Os índios temem que ocorra retrocesso nos avanços na política de saúde indígena no país conquistados nos últimos anos. E lembram que Rodrigues foi responsável pelos mutirões de saúde nas aldeias e pela retomada da autonomia financeira dos distritos, principal reivindicação dos indígenas.

Mas Rodrigues ,em entrevista exclusiva ao Site Unica News revelou que sua saída da Sesai faz parte ‘da política’ e que agora em março, já assume outro cargo, por indicação – como na Sesai -, do seu partido, o PMDB, na Secretaria Especial, o 2º cargo na hierarquia do Ministério da Saúde.

Mas que está profundamente emocionado pela resposta ao seu trabalho, revelado com o protesto dos índigenas no ministério, pois prova que realizou ações eficazes e responsáveis à frente da Secretaria onde ficou por praticamente um ano.

O mato-grossense revelou que a pasta [Sesai] com a saída da ex-presidente petista Dilma Rousseff e com a entrada de Michel Temer, ‘ficou solta’. Sendo pleiteado pelo Partido Progressista(PP) que ficou com boa parte dos cargos na Saúde e igualmente pelo PMDB que também tem cargos no ministério. Mas de parlamentares, de uma parte da sua sigla que ele, no entanto, não tinha muito contato, como o deputado Hildo Rocha do Maranhão e alguns deputados do Rio de Janeiro.

Indicado na época pelo deputado federal Carlos Bezerra e Leonardo Picciani, atualmente ministro dos Esportes, a secretaria já estava entre as pastas que teriam novos comandantes, desde o final do ano passado, ‘mas no caso particular da Sesai, houve uma certa cautela pois já há tempos os índios brasileiros vêm reivindicando o direito de eles mesmo escolherem o nome que vai compor a pasta’, lembra Rodrigo.

Mas retruca que a indicação de Marco Antonio Toccolini, para a Secretaria Especial de Saúde Indígena, seja do deputado Valtenir Pereira (PMDB-MT). ‘Toccolini é uma indicação peemedebista, mas da bancada do Maranhão e de parte do Rio. Valternir até indicou cinco coordenadores dos Distritos Sanitário Especiais. Mas só!’.

Lembrando ainda Rodrigo Rodrigues que, recentemente, teve algumas divergências com o parlamentar, depois que ‘Valtenir tentou intervir na sua pasta, ou seja, em área que ele não entendia e, pior, sob um olhar politiqueiro, e isto para mim é inadmisível’. Mas, em democracia, mesmo as divergências são salutares’, diz Rodrigo, com seu conhecido bom humor.

O ex-secretário ainda reforçou que os protestos que estão nesta quarta, ocorrendo em Brasília, eram previstos, porque esta sempre foi uma exigência dos índios: a escolha do nome para a Sesai, ‘caso eu saísse do comando da pasta’.

Animado com o novo cargo que assume um pouco depois do carnaval, Rodrigo diz, no entanto, que deixa o cargo, tendo o seu trabalho reconhecido pelo Ministério da Saúde, pela Organização Mundial de Saúde, tendo sido inclusive, convidado para realizar uma palestra na Organização das Nações Unidas (ONU), sobre a questão indígena no Brasil, para os povos tradicionais. Mas, sobretudo, com um trabalho sendo reconhecido pelas lideranças de várias etnias brasileira.

‘É muito prazeroso para quem ocupa cargos públicos com a notoriedade da Sesai, ler na capa da Folha de São Paulo, por exemplo, matéria elogiando o trabalho da Secretaria com a saúde indígena’, revela Rodrigues. Ainda dizendo ‘que pedra que rola, não cria musgo e que é, no entanto, do seu perfil, plantar sem se importa com a colheita política’.

Rodrigo Rodrigues chega esta semana em Cuiabá, antes de voltar ao Distrito Federal para assumir o novo cargo no Ministério da Saúde.

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