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O outro ponto de vista da eleição proporcional

Por Donizete Carmelo Silva

Donizete Carmelo Silva
Donizete Carmelo Silva

 

A questão que sempre volta à torna, após a divulgação do resultado da eleição para vereadores, que deveria ser eleitos os mais votados, alegando ser esta a vontade do eleitor. Os adeptos desta teoria dizem que é injusto ser bem votado, mas não ser eleito por causa da legenda. Por outro lado, estes defensores não falam nada sobre a disputa ser iguais para todos, que os partidos se unem, mesmo sem nenhuma afinidade, apenas com intuito de emplacar representante no legislativo, utilizando membros de outros partidos como escada. Entretanto, o que a população precisa entender que a falha não está propriamente no sistema eleitoral Brasileiro e sim na falta de esclarecimento desta modalidade. É preciso esclarecer bem ao eleitor que na eleição proporcional o voto do eleitor é contado duas vezes. Primeiro para a coligação do candidato escolhido definindo o número de cadeiras de acordo com o quociente partidário e só depois que o voto é contado para o candidato e aqueles mais votados ocuparão as cadeiras conquistadas por todos os votos do grupo partidário.

Neste contexto, além da eleição proporcional não ser bem explicadas para o povo, a lista dos nomes dos candidatos de cada coligação que eleitor pode eleger com seu voto não é divulgado. Assim, o eleitor não fica sabendo que seu voto também ajudou a eleger alguém que ele gostaria que ficasse fora da política ou que realmente merecia uma oportunidade no poder legislativo. Por exemplo, caso fosse considerado os mais votados, a coligação União e Renovação, com 18 candidatos, que apoiou o prefeito eleito de Alto Araguaia-MT, Gustavo Melo, não elegeria nenhum vereador e a Coligação Força do Povo, que apoio o candidato concorrente, com 15 candidatos, elegeria 06 vereadores. Mas, se considerássemos os votos obtidos por cada uma das quatro coligações que disputaram a eleição proporcional deste município, constataríamos o seguinte resultado: Coligação Força do Povo com 3.677 votos com direito a 04 vagas, Coligação União e Renovação com 2.396 votos com direito a 03 vagas, Coligação Araguaia de Todos Nós com 2.012 votos com direito a 02 vagas e a Coligação União, Planejamento e Prosperidade com 1.592 votos com direito a 02 vagas. Assim, diante destes dados poderíamos afirmar que o eleitor, mesmo teoricamente, está sendo representado proporcionalmente naquele grupo partidário. Por isso, fica a pergunta que não quer calar: Será que desta vez os vereadores eleitos vão reconhecer que não se elegeram sozinhos e que vão de alguma forma ajudar pelos menos os primeiros suplentes? Ou será que vai ter aquele que vai até trabalhar doente para não dar oportunidade por um período a seu colega de chapa?

Portanto, o voto proporcional é bem valorizado e igualitário. Pode não ser o ideal, porém a representatividade da população deve ser de acordo com a ideologia que determinados partidos ou coligações representam. Dessa forma, ao votar, o eleitor estará escolhendo ser representado por determinado partido e, preferencialmente, pelo candidato por ele escolhido. Contudo, caso o mesmo não seja eleito, o voto será somado aos demais votos da legenda, compondo a votação do partido ou coligação. Diante disto, a importância da divulgação das listas com os nomes dos candidatos terá um forte poder depurativo na escolha pelos partidos de seus candidatos nas eleições proporcionais. Assim, os eleitos vão entender que seu mandato não lhe pertence totalmente e que representam os ideais de um grupo.

 

*Donizete escreve este como observador político*

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