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População reclama de prejuízos por causa de quedas de energia

As frequentes quedas de energia elétrica em Santa Rita do Araguaia causam transtornos aos munícipes. Por vezes, as quedas danificam eletroeletrônicos e eletrodomésticos e os moradores da cidade precisam comprar novamente os objetos perdidos. A prefeitura prevê a solução do problema, mas o resultado o ainda é incerto.

A dona de casa Sônia Ribeiro mora no bairro Setor Bela Vista e conta que houve um dia em que a energia acabou às 11h30 e só retornou às 15h. Em outra situação, ela precisou passar o uniforme de seu filho, mas por conta da falta de energia, a criança teve que ir à escola com uma camiseta diferente.

“Morei em uma fazenda em Alto Araguaia, mas nem lá caía tanto quanto aqui. Nunca chegou a queimar nenhum equipamento, porque quando vejo que a energia está oscilando, tiro tudo das tomadas”, recomenda.

Já a aposentada e dona do lar Therezinha Maria Fantinel, mora há nove anos em Santa Rita. Ela relata que as quedas de energia se tornam mais constantes quando chove e, principalmente, quando há trovoadas. Em dezembro do ano passado, a queda de energia queimou duas televisões de sua casa. “Gastei 850 reais com o conserto das duas TVs”, lembra.

Com as altas temperaturas em Santa Rita beirando os 40°, o professor de Inglês, Diolídio Ribeiro afirma que a energia tem caído muito nas duas últimas semanas. “Acho que sou mais prejudicado com o calor porque não posso ligar nem um ventilador”, menciona.

Ele conta que ficou oito meses sem energia porque a fiação não chegava até a sua casa. Ribeiro diz ter se sentido incapacitado de realizar atividades durante a noite. Também se declara que se sentia um estranho porque estava na cidade e parecia que morava na zona rural.

“Minha salvação é que eu vivia mais no trabalho do que em casa. Tive medo de perder minhas coisas, como a geladeira, por terem ficado desligadas por muito tempo”, relembra.

O professor chegou a usar dois pacotes de oito velas, cada, por semana. As consequências foram maiores e se refletiram no prazer por cuidar de sua casa. “Parei as construções, não reboquei nem coloquei piso. Só resolvi dar continuidade às construções depois que colocaram energia em julho desse ano”.

Depois que o problema foi resolvido, Ribeiro já rebocou as paredes, colocou piso e ainda vai construir duas áreas em sua casa. “O prefeito tem que dar incentivo pra gente continuar a melhorar a cidade, porque do jeito que está, não dá”, exige.

População em ativa

“Kênia Borges analisa abaixo-assinado que marca esforços da população santaritense para que o problema seja resolvido”. Foto: Brenda Carvalho.
“Kênia Borges analisa abaixo-assinado que marca esforços da população santaritense para que o problema seja resolvido”. Foto: Brenda Carvalho.

A cabeleireira Kênia Amado Teixeira Borges possui um salão de beleza no Centro de Santa Rita do Araguaia. Ela diz que a queda de energia estragou sua máquina de lavar roupas, mas o prejuízo maior é no trabalho, pois ela chegou a perder um secador de cabelo, uma chapinha e um micro-ondas que utiliza para esquentar cera depilatória.

“Às vezes fico impossibilitada de trabalhar. Pagamos energia corretamente e se não pagamos, eles cortam. Mas na hora que precisamos do serviço não tem ou é de péssima qualidade”, expõe Borges. Com isso, a cabeleireira deixa de lucrar porque, segundo ela, seu serviço depende da energia elétrica e há dias em que tem que dispensar clientes.

Sobre o ressarcimento dos aparelhos queimados, Borges prefere comprar novos a acionar os responsáveis para indenização. “Nem vou atrás porque demora muito tempo. Já vi algumas pessoas que esperaram até oito meses para conseguir a indenização. Se eu esperar fazerem algo, fico sem trabalhar”, pontua.

Cansada desses problemas, Borges resolveu tomar iniciativa e fez um abaixo-assinado. O documento reivindica a volta do escritório das Centrais Elétricas de Goiás (CELG) para o município, faz o pedido dos religadores automáticos e cobra ações para resolver a queda e oscilação de energia em Santa Rita.

Em uma semana, Borges conseguiu recolher 800 assinaturas junto a comerciantes e a população santaritense. Depois entregou o documento em sessão da Câmara Municipal de Vereadores de Santa Rita do Araguaia. “Estou só esperando passar o período eleitoral, porque se não resolverem, vou acionar o Ministério Público”, afirma.

Justificativas e solução

“Prefeito João Batista estipula prazo de onze meses para obras do linhão e da subestação de energia ficarem prontas”. Foto: Sâmela Rodrigues.
“Prefeito João Batista estipula prazo de onze meses para obras do linhão e da subestação de energia ficarem prontas”. Foto: Sâmela Rodrigues.

Segundo o prefeito de Santa Rita do Araguaia, João Batista Gomes, a energia que abastece Santa Rita é comprada do Estado de Mato Grosso, no caso, provém de Alto Araguaia. O prefeito explica que, quando a energia vem para Santa Rita, ela chega reduzida porque há um limite de abastecimento para o município. Quando atingido o limite, a energia passa a oscilar e cair.

“Ali tem umas chaves que são bem antigas, então quando a energia dá muitos piques, as Centrais Elétricas Matogrossenses (CEMAT) desligam e religam a chave da tomada”, esclarece.

Recentemente, a Prefeitura de Santa Rita do Araguaia, junto a CELG fizeram a licitação do linhão e da subestação de energia. Segundo o prefeito, as obras devem iniciar em até 30 dias e devem demorar, em média, dez meses para ficar prontas. O investimento para as duas obras é de 4,5 milhões de reais.
Se o problema será totalmente resolvido, Gomes não tem certeza. “Só depois que as obras forem terminadas é que poderão fazer um parecer para averiguar totalmente a situação”, finaliza.

 

Por Brenda Carvalho

Fonte: focagen.wordpress.com

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